Tenho a mais de quase tudo na minha vida, sempre vivida em pequenos extremos. Mas, definitivamente, a vida não me dotou de grande paciência. Os últimos dias têm-me sujado até ao tutano, deixando-me alucinada, desesperada, irritada e todos os sinónimos que possam imaginar. Talvez seja difícil para as pessoas compreenderem porque sou tão exigente e insatisfeita, talvez não entendam porque pequenas falhas para mim significam tanto. Sinto-me no limite entre o são e o louco, caminhando sobre ondas revoltas num marear incerto. Sonhava ser livre para partir. Dona de mim mesma e voar sem fim, para longe, tão longe, que por cá se assombrasse a vida de quem no presente não dá valor, com o fantasma da minha ausência. Só queria poder virar costas e partir. Ser quem quero ser num mundo só meu. Desejo ser egoísta e viver por mim e para mim. Desejo ser um pouco mais do que aquilo que sou hoje.
Levemente sinto que o frio de Outono me toca no rosto e me desperta para a frágil realidade de quem sente, de quem ama, de quem sonha e anseia. Há muito que os sonhos não são cor-de-rosa, nem o amanhecer necessário como o ar que respiro. É apenas algo que desejaria tocar e sentir, mesmo que por segundos, a verdadeira paz interior...